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segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Histórias que o Tempo Apagou - Porque Morreu Inês de Castro e algumas elucidações sobre suas reencarnações -





Olá!

Estou realmente impressionada com a história de Inês de Castro e com a semelhança entre sua história e a de Maria Padilha de Castela.
Ambas foram amantes de príncipes e coroadas rainhas após a morte, na condição de amantes, porém, foram mães de quatro filhos.
A história de amor de Inês de Castro e D Pedro I de Portugal, se assemelha demais à história de Maria Padilha e D Pedro de Castela. Viveram inclusive na mesma época.
Histórias como essas, penso fossem comuns naquele tempo, mas, a história das duas aqui mencionadas têm semelhanças muito particulares.
Abaixo segue vídeo contando, resumidamente, a história de Inês, não encontrei, porém, material em vídeo sobre Maria Padilha, a não ser um que mostra seu tumulo em Sevilha/Espanha.
Conheci a história de amor de Maria Padilha em 2010, por "curiosidade", sendo espiritualista, não creio no acaso. Na época, após ler sua história, me veio a inspiração para escrever e esse texto, sobre Maria Padilha, está disponível aqui no blog, caso alguém se interesse por ele.
Há alguns dias, o nome Inês de Castro me chegou à mente. Médiuns audientes e clarividentes têm dessas coisas, que o digam os meus irmãos de jornada que, assim como eu, conservam esses dons.
Até o presente momento, ainda não consegui compreender claramente, a razão pela qual o nome de Inês me foi "soprado", de qualquer forma, pesquisando sua história e atendendo ao apelo da voz que o soprou, compartilho essa bela história de amor e apresento minhas observações/pensamentos.

"Seu amor é sua rainha".


A frase acima me veio à mente depois de muito pensar sobre a história dessas duas mulheres.
No processo da reencarnação, penso sobre o destino de suas almas. Sobre Maria Padilha, como já citei, escrevi sob forte inspiração, mas, sobre Inês, confesso, está difícil encontrar o "fio da meada", mas, vamos lá!
Se nosso amor é nosso rei/rainha, talvez isso signifique dizer que somente quando amamos, sem julgamentos ou interesses, é que encontramos a plenitude do sentimento. Talvez ainda, os espíritos amigos queiram nos alertar sobre o perigo de uma união baseada em algum interesse, seja ele físico (beleza), material, emocional, ou de qualquer outra ordem onde o amor não exista, porém, se mascara, esse pretenso amor, em algum interesse consciente ou inconsciente. Somos "bichos" complicados e nossa mente nos arma muitas ciladas, devemos estar muito atentos aos nossos verdadeiros sentimentos. Tirar a própria máscara não é nada fácil.
Conta a história que Inês de Castro, amante de D Pedro I de Portugal, foi morta pelas mãos de dois homens contratados pelo Rei, pai de D Pedro, por questões políticas e não morais, mesmo porque a época consentia que os homens se relacionassem fora do casamento, o mesmo não aconteceu com Maria Padilha que faleceu devido à peste negra, doença fatal da época. Se há alguma diferença entre as histórias de amor vividas por essas duas mulheres marcantes, foi a maneira como deixaram de viver, porém, ambas foram coroadas rainhas depois de "mortas".
A frase popular: "Agora Inês é morta", que indica a impossibilidade de se fazer algo diante de um acontecimento indesejável ou a reversão de alguma situação, nasceu por conta da história de Inês de Castro que sucumbiu enquanto seu amado viajava por ação calculada do Rei mandante do crime.
Sem encontrar consolo, D Pedro então ordena que Inês seja coroada rainha, pois que ela era seu amor, sua rainha.  É folclore, porém, a estória que se conta sobre a exumação de seu corpo que teria sido exibido ao público e que D Pedro teria "obrigado" as pessoas do reino a beijar suas mãos já em estado de decomposição.
Naquela época os casamentos eram arranjados e quando se tratava da "nobreza" ainda mais. Creio que as mulheres da época foram as que mais sofreram porque ao homem era concedida a tolerância pela infidelidade conjugal, porém, às mulheres, restava apenas a resignação ou a rebeldia que creio poucas ousaram.
De qualquer forma, Inês e Maria Padilha então foram agraciadas com a possibilidade de viverem seus amores, ainda que de forma velada, na condição de amantes. 
Nesse ponto, enquanto escrevia o texto acima, tive a ideia de pesquisar sobre a reencarnação de Inês e me surpreendi ao encontrar uma obra psicografada por Chico Xavier e Caio Ramaccioti, na qual ela é o espírito comunicante. A obra é "Mensagens de Inês de Castro".
É assim que as coisas funcionam comigo, primeiro escuto o nome, pesquiso superficialmente, não contente, procuro mais e por fim encontro pérolas de Luz!
Na verdade, mesmo tendo lido muitas obras do amigo Chico, essa, especialmente, para mim era uma ilustre desconhecida, nem preciso comentar que adquiri a obra e estou ansiosa pela chegada da mesma!
Voltando à pesquisa, ou à caça às pérolas, como queiram, encontrei textos de  Caio Ramacciotti, escritor e divulgador da Doutrina Espírita, sobre as reencarnações de Inês, fantástico, justamente o que procurava para seguir com minhas despretensiosas observações. Os textos seguem abaixo e são apaixonantes.
Quanto à Maria Padilha de Castela, infelizmente, não encontrei material semelhante ou que me inspirasse confiança.
Essas histórias de amor mexem com a gente, pode ser que não mexam com alguns, mas sei que tocam as almas de muitos. Por qual motivo essas histórias nos fascinam, nos remetem ao passado desconhecido? O que na verdade sentimos quando nos deparamos com essas histórias de amor verídicas? 
Para quem crê na reencarnação, é relativamente simples responder a essas questões, porém, nada é fato, tudo fica suspenso no ar, não temos certeza de nada, apenas sabemos que algo em nós, em nosso íntimo, desperta, faz lembrar algo indefinível, sensações de tristeza, euforia, raiva, medo, indignação, paixão, saudade, afloram "do nada" e nos sentimos envolvidos pela história, como fosse nossa própria história que volta do passado distante trazendo para o presente a sua mensagem, mas, que mensagem? o que afinal quer dizer tudo isso?
Até o presente momento a mensagem que fala comigo é: " Seu amor é sua/seu Rainha/Rei".
Muito se comenta sobre almas gêmeas, mas, basta que uma pessoa olhe para outra com alguma ternura e pronto, já se sentencia que são almas gêmeas mesmo que não tenham muitas afinidades, mas, a ideia da alma gêmea, ou amor eterno é tão forte, tão arraigada no ser que não importa nada, basta um simples olhar, um gosto compatível, ou um despretensioso toque e está feita a conexão com sua alma gêmea, seu amor de todas as vidas, seu amor além da vida que atravessará com você tantas vidas quantas forem possíveis. Passada a empolgação, porém, a pessoa percebe que de gêmeo, o outro não tinha nada e novamente sai em busca de sua alma par e por ai, de gêmeo em gêmeo, muitas vezes deixa de reconhecer a verdade a um palmo apenas de seu nariz.
Acredito sim em almas gêmeas, almas afins que se querem bem, que se amam, se apoiam e colaboram umas com as outras, mas nunca me arrisquei dizer que alguém que passou pela minha vida tenha sido minha alma par. Não reconheço ainda minha alma gêmea e só Deus sabe se a reconhecerei ainda nessa vida ou essa alegria está reservada para depois.
Voltando à nossa Inês e Maria Padilha, acredito no amor que elas viveram e penso que nem em todas as suas reencarnações tenham encontrado seus amores eternos, pode ser que no intervalo, de uma encarnação para a outra, não tenham se encontrado para que ambos pudessem viver outras experiências necessárias a suas evoluções. Isso acontece muito e uma das características das pessoas que estão encarnadas e o par, desencarnado, é a saudade inexplicável que sentem de alguém que não conhecem. Sentem melancolia, têm a sensação de que devem partir, porém não sabem para onde nem porque sentem tal necessidade. Esse é apenas um simples exemplo, pois, almas pares podem sim reencarnar sem se encontrarem, como já disse, são experiências necessárias a cada um.
Voltando aos comentários acerca do texto de Caio Ramacciotti, ele relata , brevemente, um dos destinos do algoz de Inês na época medieval. O texto é realmente surpreendente e nos esclarece sobre as reencarnações de Inês e Pedro.
Creio que a espiritualidade permite que histórias assim sejam reveladas para nos ajudar a compreender a nossa própria vida atual porque como vivemos, o que sentimos, nosso contexto familiar do presente nada mais é que consequência do passado ou de escolhas que fizemos, para nosso próprio bem e progresso, antes de assumirmos esse corpo atual.
Nos debatemos diante dos problemas, muitas vezes inconformados com os acontecimentos que nos entristecem e não conseguimos compreender a mensagem da dor, o que realmente é o conflito, o desencontro e como lidar com tudo isso de maneira tal que não venhamos a reincidir no erro que nos trouxe até aqui.
De qualquer forma, histórias de amor nos provocam a meditação, aguçam nossa curiosidade, como no meu caso, e nos conduzem a buscar nossa realidade através de exemplos vividos por outros.

"O amor chorará sempre, mesmo quando iluminado pela fé, porque aqueles que amam querem, antes de tudo, a felicidade dos entes queridos".

A frase acima faz parte de uma conversa entre a mãe Rainha do algoz de Inês, o então rei medieval Afonso, e a própria Inês, conversa essa que tiveram no plano espiritual relatada ao médium Caio Ramacciotti por Inês de Castro, penso faça parte da obra na qual ele e Chico Xavier psicografaram em parceria, deixando claro que o amor sobrevive, nunca morre, pois o que levamos dessa vida são os nossos sentimentos e o bem, ou mal, que fizemos.

Sim, nosso amor é nosso Rei/Rainha, pois à realeza devotamos amor, respeito, neles cremos pelo simples fato de amar-los e confiamos parte de nós a esse amor real que desconhece fronteiras, que se debate quando na ausência do outro sem, porém, deixar de sonhar com o reencontro.
Nosso amor é nosso Rei/Rainha porque de alguma forma, o título, nos remete à devoção, fidelidade incondicional sem ser de forma alguma imposta por qualquer razão.
Talvez seja essa a nossa constante busca e a razão pela qual nos deixamos cativar pelas histórias de amor que na verdade vão além da história imortalizada na Terra rompendo as barreiras do tempo/espaço e seguindo pela eternidade.

Agradeço ao espírito amigo que me soprou nos ouvidos da alma o nome Inês de Castro e a ela mesma, também agradeço pelas pérolas recolhidas durante os momentos que dediquei à essa deliciosa e surpreendente pesquisa.

Compartilho com vocês, irmãos/amigos, mais essa alegria!

Espero que seus corações se iluminem e que sejam felizes hoje e sempre!

Annapon




REENCARNAÇÃO INÊS DE CASTRO

Cessada a tumultuada existência nos tempos medievais, D. Afonso IV, D. Pedro I  e Inês de Castro retornaram à Terra, no continente europeu, ajustando as vivências do passado de que foi vítima a desafortunada jovem.

Nesses ajustes reencarnatórios, vemo-los, por vezes, à frente dos reinos da Península Ibérica.

Mas, não reencarnaram apenas nos ambientes de poder. Outras existências houve em que assumiram compromissos distantes do mundo ilusório da vida palaciana.

Foram poucas as novas experiências que viveram no período de quinhentos anos, até o século XIX. Destacamos, resumidamente, a presença de Inês e Pedro na Espanha, entre o último quartel do século XV e meados do século XVI.

Ela, conhecida por Joana, a Louca,  infeliz aposto que não corresponde à realidade. Ele, como Felipe I,  da Casa dos Habsburgos.

Joana era filha dos conhecidos Reis Católicos, Fernando de Aragão  e Isabel de Castela, que uniram suas coroas, lançando as bases da unificação dos reinos ibéricos da Idade Média, à exceção de Portugal. Assim, eliminaram na Península Ibérica os últimos traços da presença árabe, remanescente em Granada, ao sul, além de conquistar Navarra  ao norte.

Dessa unificação nasceria o reino de Espanha.

Os reis católicos tiveram cinco filhos: Isabel, João, Joana, Maria e Catarina, infantes que tiveram casamentos reais.

Em 1496, Joana casa-se com Felipe I, o Belo, filho de Maximiliano I,  soberano da dinastia dos Habsburgos da Áustria. Herdou o trono de Castela  por singular combinação de fatalidades: a morte da mãe, dos irmãos João e Isabel e também do sobrinho Miguel, filho da irmã Isabel com o rei Manuel de Portugal.

Sua vida foi rica de espiritualidade, com o amor acendrado pelo marido, a mediunidade, o sofrimento e a prisão. A perda do companheiro, que faleceu com apenas 28 anos, em 1506, deixando-a grávida, a teria enlouquecido. Por determinação paterna, posteriormente reiterada pelo filho Carlos V,  permaneceu reclusa no palácio contíguo ao mosteiro de Santa Clara, em Tordesilhas,  de 1509 até a morte em 1555, aos 76 anos. Viveu afastada dos seus seis filhos a maior parte de sua vida.

A considerada loucura, que a mantinha presa, isolada, nada mais era do que a manifestação de sua mediunidade, em que se destacava a vidência, acentuada com a morte do marido, cuja urna funerária mantinha consigo, carregando-a, num coche fúnebre, pelas cidades e vilas da meseta setentrional da Espanha.

Numa dessas frequentes peregrinações com o corpo do marido, em 1507, deu à luz a filha póstuma, Catarina.

Seu extraordinário biógrafo, Manuel Fernández Álvarez, a considera desventurada e não louca, ressaltando a coerência que demonstrava em suas conversas nas raras visitas que recebia, em sua desumana e extrema solidão.

Como veremos a seguir, o período de meio século, em que Joana ficou detida, serviu de preparação para suas atividades mediúnicas à época de Kardec.

Mais tarde, na França do século XIX, esteve Inês envolvida com as tarefas relativas à nascente Doutrina Espírita, codificada por Allan Kardec, na roupagem física de Caroline Baudin, filha de Émile-Charles e Clémantine Baudin. Caroline participava, com a irmã Julie, da constelação de médiuns que trabalhou com Kardec na elaboração de O Livro dos Espíritos.

Kardec as estimava muito, dedicando especial carinho e afeição a Caroline, dois anos mais velha que Julie. Aos 18 anos, quando do lançamento da primeira obra da codificação, a 18 de abril de 1857, já denotava Caroline rara evolução e maturidade precoce em sua alegre e angelical postura.

Concluída a tarefa que lhe reservara o Plano Espiritual, Caroline casou-se, em outubro do mesmo ano, com o companheiro do episódio medieval referente a Inês de Castro.

O casal foi residir, com os familiares dela, em Reunião  — departamento francês no Oceano Índico, constituído por ilhas e arquipélagos — onde o Sr. Émile-Charles Baudin possuía propriedades de cultivo agrícola.

A seguir descreveremos os diálogos na Espiritualidade, entre Isabel de Aragão, D. Afonso IV e D. Pedro, em presença de Inês, com o objetivo de preparar-se a próxima encarnação de pai e filho no século XX.



.Caio Ramacciotti


E Dom Afonso IV?



Neste ponto em que nos encontramos da triste saga medieval que me chegou às mãos, impõe-se a pergunta: e Dom Afonso IV?

Não é justo que o monarca lusitano, chamado o Bravo pelas suas enérgicas decisões e pela imponente coragem com que se destacava nos campos de batalha, seja lembrado apenas como o algoz impiedoso de Inês de Castro.

Anteriormente, já vimos o quanto lhe marcou o espírito a eliminação da companheira de seu filho. Foi para ele um profundo golpe de que não se libertaria até o fim do reinado.

No encontro com o filho, nas formalidades das Pazes de Canaveses,  vemo-lo alquebrado, envelhecido, evidenciando quanto o fizera sofrer a infausta decisão.

Não era, efetivamente, o mesmo. Seus pensamentos mergulhavam longe no tempo, recordando os terríveis dias da morte de Inês.

Era homem sujeito às disciplinas da época, aos rigores medievais, que obrigavam os soberanos — ainda distantes das futuras monarquias em que reis e nobreza se locupletavam no luxo e na ociosidade, como observamos nos séculos vindouros — a viver sem conforto, sofrendo com as intempéries numerosas que lhes reduziam drasticamente a expectativa de vida e a saúde.

Foi um desbravador, como o foram os reis das monarquias carolíngeas  e os soberanos dos períodos posteriores, como os capetos  e seus coevos da Península Ibérica,  de modo especial, os descendentes do conde D. Henrique.

Não foram santos esses monarcas. Violentos, rancorosos, sedentos de poder, lutavam muito.

É importante destacar, entretanto, que à dedicação e ao trabalho incansável desses pioneiros, muito deve a organização política e geográfica de países ocidentais, como França, Espanha e Portugal, que apresentam, nos dias atuais, o traçado territorial semelhante ao que já se entrevia nos tempos medievais.

Há quem credite a Afonso IV o descobrimento das Ilhas Canárias  com a expedição marítima de 1336, que seria vista como um marco das surtidas portuguesas além-mar.

Na ocasião do descobrimento dessas ilhas espanholas, não pôde o rei ali assentar-se pelas lutas que travava com Castela.  Mais tarde, a 12 de fevereiro de 1345, reivindicou sua posse, não concretizada, por meio de carta ao papa.

Foi assim D. Afonso IV, como D. Dinis com os pinhais da Leiria, autêntico precursor das glórias marítimas de Portugal, levadas ao extremo, no século seguinte, pelo infante D. Henrique,  o grande desbravador.

Como homem de seu tempo, D. Afonso IV, impelido pelas convicções rígidas que considerava indispensáveis a um rei responsável, fez o que lhe pareceu melhor.

Mas, a sua formação moral e ética, os sentimentos, os exemplos de sua santa mãe, a dor, tudo enfim corroeu a estrutura férrea de sua personalidade de Rei-Guerreiro, e finalmente, na agonia da morte, cedeu…

Amparado por sua mãe, propôs-se a apagar o passado triste que construíra.

E, nos séculos vindouros, os três, Afonso IV, Pedro e Inês, estiveram juntos sob a proteção da Rainha Santa, circulando pelas cortes da Europa ou vivendo longe da nobreza, inspirados pelos anseios de renovação.

A respeito de D. Afonso IV e em sua homenagem, reproduzimos, nas linhas seguintes, sugestivo encontro de Inês de Castro com Isabel de Aragão, na Vida Espiritual, em que a Rainha Santa pondera sobre encarnação anterior do filho, ainda em Portugal, e sobre a última, no século passado, no Brasil.

O texto é da própria Inês:


Vi-me no sítio no qual a Rainha Isabel me recebeu com o mesmo carinho de vez anterior, quando falávamos sobre a reencarnação de D. Pedro e Dom Afonso IV. Depois dos votos de paz e das saudações endereçadas a mim e aos que me acompanhavam, na condição de zeladores, ela falou bondosamente:

— Creio que nos referíamos a Afonso em nosso encontro dos dias últimos. Na Terra, se envergamos o envoltório físico, muitas vezes nos supomos sozinhos e abandonados, quando isso jamais acontece.

O Espírito, inteligência imortal, não perde os vínculos com o Plano Físico e nem os laços com os entes queridos com facilidade. Uma tarefa começada, ou razoavelmente adiantada, não se interrompe de todo com a morte física.

Essa tarefa é revisionada ou reexaminada no Mais Além, às vezes durante muito tempo e, quando surge a oportunidade, é retomada pelo espírito que a iniciou ou que a deixou inacabada.

Afonso não descansou ao rever-se ao meu lado e abraçou comigo, na vida Espiritual, a obra de assistência e socorro aos filhos da raça lusitana.

Ainda assim, como era natural, não se desfez, de imediato, dos impulsos à violência que o caracterizavam. Enquanto aqui, em nossa companhia, entesourou valores morais de alta expressão, como sejam a beneficência com o trabalho e a coragem com a fé em Deus.

Mas, quando retornou reencarnado aos trabalhos da Corte Portuguesa, sobrelevaram-se nele as tendências antigas.

Regressou com muita autoridade nas mãos, com o objetivo de espalhar a bênção da paz no reino humano; entretanto, Portugal tomava os primeiros contatos com as raças africanas. A História não registra os fatos como

realmente ocorreram. As relações terrenas se baseiam no que parece, mas os apontamentos espirituais repousam naquilo que é.

A pretexto de proteger as necessidades que sobrecaíam nos ombros congoleses, Afonso, noutra situação, explorava os irmãos africanos indefesos, mormente no tocante às questões de família, escravizando ou doando por escravas a outros fidalgos as mulheres mais jovens, cujos filhos eram expostos à dificuldade e à provação com que não contavam, fosse no reino ou nas colônias, cuja vida começava a florescer sob o bafejo de Portugal.

voltou ao Mais Além, no meu regaço, mas profundamente onerado nas dívidas contraídas…

A história de Afonso, nos últimos seis séculos, é uma história de imensas dores e de profundas alegrias, de muitas esperanças e de fracassos espirituais não menores.

A Rainha fez uma grande pausa e chorou como eu mesma ou como qualquer mulher.

Vendo que eu não conseguia sopitar o pranto que me caía dos olhos, considerou:

— O amor chorará sempre, mesmo quando iluminado pela fé, porque aqueles que amam querem, antes de tudo, a felicidade dos entes queridos.

Tenho amado meu filho Afonso na grandeza e na falência, nas vitórias e nas derrotas, nos acertos e nos erros, na humildade e na rebeldia…

— Senhora — tentei falar alguma cousa para concordar, embora as palavras me esmorecessem na garganta. Ainda assim, tartamudeei:

— Senhora, amamos os outros como eles são, sem pedir se façam como talvez desejemos que eles sejam…

Ela apertou minhas pobres mãos entre as dela, notando que a emoção não me permitia continuar e prosseguiu:

— Antes do retorno à vida física, na presente reencarnação, meu filho muito me comoveu.

Ele pediu, em preces reiteradas a Jesus, para que lhe fosse concedida uma existência em que a fortuna material não o favorecesse e nem a cultura intelectual o laureasse com essa ou aquela titulação.

Mas rogou que não o deixasse sem apoio dos espíritos afins, para que ele não sofresse demasiado pela carência de amor, já que, chegado à madureza física, desejava consagrar-se à divulgação dos princípios libertadores do Cristianismo Redivivo.

Compreendi que ele aspirava a desfazer-se da impulsividade menos construtiva, que algumas vezes o impulsionou a compromissos de certa gravidade…

Atualmente, em plena luta terrestre, Afonso suporta duros combates na vida interior. Estimaria pedir para ele apoio e compreensão…

Sabe você que nossos Planos de vida se intercambiam… Os amigos de lá, da Terra materializada, solicitam certas medidas aqui, relativamente a providências que supõem necessárias, e nós de cá pedimos auxílio em apoio dos que mais amamos e que lá se encontram…

— Senhora, quanto a mim, posso tão pouco… — disse eu apreensiva.

— Trabalharemos em conjunto, explicou a excelsa benfeitora. Quanto possas fazer e quanto possas transmitir a Pedro essas noticias para que ele indiretamente nos auxilie, sei que o farás…

Mas uma onda de forças me turvou a mente. Não sei se a complexidade dos assuntos me alarmava, se minha fraqueza vergava ao peso das emoções daquela hora…

Sei que me perdi num fenômeno de repentina amnésia, mas logo voltei às sublimes realidades que me competia sustentar…

.Inês de Castro



.Caio Ramacciotti


Um comentário:

  1. Boa noite nossa estou maravilhado sobre a vida de INES quero saber mas........

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