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quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Entrevista - Mãe Beata - Candomblé -

Olá!
Quando penso em Candomblé, sempre me vem à mente pessoas assim como Mãe Beata, Menininha e outras.
Pessoas amorosas, respeitosas, enérgicas sem perderem a doçura, gente fiel a sua gente, a suas raízes e tradições. 
Candomblé, na minha opinião é isso tudo que diz Mãe Beata, Beatriz de batismo, durante os 26 minutos de duração do vídeo.
Luiz Lobo entrevista essa representante das raízes afro, autora do livro "Caroço de Dendê" que certamente, em breve, faço questão de ler.
É bonito ver um judeu e uma Mãe de Santo juntos, em plena harmonia na compreensão das "coisas de Deus", mantendo um diálogo gostoso e respeitoso, como deve ser. Que sejam exemplo para muitos que ainda não entenderam a verdadeira mensagem do Mestre Jesus!
Com seus oitenta e um anos, Mãe Beata conserva lucidez "invejável" e postura de quem viveu bem e em comunhão com as Leis Divinas e principalmente em harmonia com sua fé!
Suas palavras, sábias e respeitosas, reforçam a diversidade existente nos terreiros, onde cada casa tem seu próprio fundamento e ritual.
Carismática, Mãe Beata prende a atenção pela doçura, sabedoria, lucidez, exemplificando a fé na prática do cotidiano.
Defensora dos direitos humanos e da mulher, em especial, Mãe Beata tem sido a mãe que muitos jovens buscam na falta dos pais. Ela os acolhe com carinho e, conforme relata ao entrevistador, ela só lhes dá amor e colo, remédio que cura, alenta e encoraja.
Quando penso em Candomblé, penso nessa gente que como Mãe Beata, crê, luta, mas principalmente ama sem condições, que se importa com o outro e considera todos como irmãos, gente que respeita a fé alheia e exige respeito para com a sua, gente que abre as portas de sua casa acolhendo a todos de braços e coração abertos.
É por essas Mães de Santo, Menininhas ou Beatas, que meu respeito pelo Candomblé é grande, é por conta da vida de devoção e fé dessa gente que meu coração bate no ritmo do atabaque, no cheiro de erva e flor trazendo à minha memória algo que não sei definir. Só pode ser porque um dia também vivi ali, ao lado de uma Beata ou Menininha, não sei, só sei que sinto assim!
Annapon


Livro " O Caroço de Dendê" Mãe Beata de Yemanjá


"O caroço de dendê" é o nome de uma das narrativas que compõem a coletânea de histórias recolhidas, recriadas ou inventadas pela mãe de santo Beata de Yemonjá, pertencente à tradição africana Iorubá. Nesta história, Exu, com raiva pelo poder que Olorum deu ao côco de dendezeiro de quatro furos - guardar todos os segredos vistos pelos quatro cantos do mundo - frustra-se, ao exigir que o côco de dendê de três furos lhe conte tudo o que vê (essa espécie de côco não tinha esse poder). O côco de três furos responde a Exu: "Tu não és mais do que aquele que é responsável pela minha existência e a tua". Com efeito, Exu é o personagem que mais aparece nas histórias, mas tem também Yemanjá, Ossâim, orixás, odus. Há quarenta e duas histórias, curtas, marcadas com o tom de oralidade e ricas em sabedoria popular; algumas delas até expressam uma certa moral, o que remete ao mundo das fábulas. O livro apresenta uma introdução de Vânia Cardoso (membro graduado da "National Science Foundation"), trazendo à tona a poética afro-brasileira dos contos do livro, e um prefácio de Zeca Ligiero, (Doutor em Estudo da Performance, New York University), recomendando uma leitura paulatina dos contos, por considerá-los "formas aparentes ou visíveis de um todo quase indivisível". Na contra capa da obra, Monique Augras, professora titular do Departamento de Psicologia da PUC-Rio, ressalta a possibilidade dos vários níveis de leitura da obra - desde a análise erudita até o prazer proporcionado pela magia dos contos. Dessa forma, este livro possibilita tanto um aprofundamento no conhecimento da cultura afro-brasileira no que se refere aos ensinamentos nas comunidades de candomblé, quanto o conhecimento de histórias em que animais, homens e divindades vivem relações facilmente identificáveis na vida cotidiana. A obra apresenta ilustrações em branco e preto de Raul Lody e fotos de Mãe Beata de Yemonjá com crianças em trajes de candomblé. Júlio Braga, axeloiá em Salvador (Bahia) ressalta, nas orelhas do livro, a vida e a luta da mulher Beata, cuja riqueza de espírito sintetizou imagens, figuras míticas, vivências e saudades em forma de contos. Ao fim do livro, um glossário explica o significado de termos africanos. (S.M.F.B.)


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