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terça-feira, 21 de setembro de 2010

Bem aventurados os que choram

Excelente texto de meu amigo querido Jorge Leite de Oliveira


BEM-AVENTURADOS OS QUE CHORAM...
Jorge Leite de Oliveira

Se, aos pobres de espírito, Jesus promete o Reino dos Céus; aos que choram promete a consolação no cap. 5, versículo 4 de Mateus. Para aqueles que empregam as suas energias, todo o entusiasmo e esperança somente na felicidade aqui na Terra, sem quaisquer perspectivas ante a possibilidade de uma vida futura, as palavras do Senhor soam até mesmo absurdas. Por que bem-aventurados, se choram? Melhor é ser feliz por sorrir, por desfrutar de todas as coisas boas proporcionadas pela vida atual, que consideram a única certeza.
Parece-lhes um contra-senso estas palavras de Jesus: “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados”. Como consolar os que choram, se, em milhões de casos, esse choro é proveniente da fome insaciada, dos aleijões sem possibilidade de reparação, das agressões físicas e morais provenientes da própria família e do abuso do poder ou da autoridade terrenas? A vida não os favoreceu com a sorte desde o nascimento, diferentemente dos privilegiados do berço rico, com enxovais luxuosos, a quem nunca falta nada, desde a boa alimentação e vestuário até as boas escolas, lazer, projeção socioeconômica.
Como consolar as lágrimas daqueles que nascem na miséria, dos enfermos sem cura, dos que sofrem privações de toda espécie, que não têm acesso aos mínimos direitos previstos na própria Carta Magna do País e não possuem esperanças de um futuro melhor para si e seus filhos? Como conciliar isso com a vida aparentemente privilegiada dos acima citados? Como entender a impunidade dos corruptos, a felicidade dos que nasceram na opulência e gozam dos privilégios da sorte, com o desprezo e a humilhação sofridos pelos infelizes, dia após dia, por toda a existência física na Terra?
Nas atividades de assistência social das quais participamos ou das que nos são relatadas, ouvimos histórias incontáveis de dores profundas e, muitas vezes, só aplacadas com a desencarnação do ser tão sofrido. Que consolação podem ter, nesta vida, milhões de seres que mais vegetam do que vivem? Se tivéramos uma só encarnação, como muitos supõem, onde estaria a justiça divina, ainda que esses sofredores pudessem ter uma vida melhor após a existência física? Os que gozam de todas as benesses, aproveitando bem o ensejo no bem, também não desfrutarão da mesma felicidade na vida espiritual?
Aqui é uma mãe que, sem ter quem a esclareça, com parcos auxílios materiais, dá à luz, ano após ano, a dez crianças e, com menos de trinta anos, aparenta cinqüenta. Ali é outra mãe, ou outra abnegada criatura, que mal consegue alimentar, com feijão e farinha, um filho ou tutelado deficiente mental ou físico. Acolá é um portador de grave enfermidade, que aguarda, sofrido e, por vezes, em desespero, o momento da sua desencarnação. Assim, de miséria em miséria, o sofrimento vai grassando e infelicitando, na Terra, grande número de seus habitantes.
Essas pessoas, convivendo nas periferias das grandes cidades, observam, ao seu redor, aqueles a quem os recursos materiais permitem uma vida totalmente diversa da sua. Então recorrem, muitas vezes, ao lixo que é jogado fora, pelos últimos, para daí tirarem seu sustento. Por vezes, suplicam-nos um servicinho qualquer, que lhes é negado pela mais conhecida razão: o egoísmo humano.
Desse modo, com o miserável, persiste, sem justificativa racional, o estômago que ronca vazio e desesperado. Que outro consolo lhe damos, senão o de acreditar noutra vida, após a morte física, melhor do que a existência atual, inútil e sofrida? Mas ao menos podemos dar-lhe essa certeza? E se não conheceu a mensagem crística? E ainda se, conhecendo-a, observa, nos que a pregam, o predomínio do interesse próprio e da mais dura impiedade?
Assim, algumas, nem todas, dessas pessoas sofridas, após angústias sem fim, revoltam-se e partem para o crime. De quem é a culpa, delas, que nem ao menos têm a esperança numa vida futura melhor, ou daqueles que lhes negam tudo, do pão material ao espiritual? Devemos então deixá-las sofrer, por sabermos haver, para as almas não revoltadas, uma recompensa no outro mundo? Elas podem estar expiando seus erros de existência pretérita, mas, se Deus nos colocou perto delas, não é para julgá-las e, sim, para aliviar-lhes as carências morais e físicas.
Se é certo que os bens e os sofrimentos são aparentemente mal repartidos entre a população mundial, não menos certo é que nascemos para fazermos o bem e não apenas para evitarmos o mal. “Cada um responderá por todo o mal que haja resultado de não haver praticado o bem” (Kardec, Allan. O livro dos espíritos, questão 642).
Dessarte, se vemos alguém sofrendo, rogando-nos ajuda, e nada fazemos para aliviar sua dor, para secar suas lágrimas, auxiliar, responderemos pelo mal resultante de nossa conduta descaridosa. Não foi por outra razão que Jesus alertou com a parábola das ovelhas e dos bodes, quando se refere ao julgamento de cada um consoante suas obras:
Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí, por herança, o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo; porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me; estava nu, e vestistes-me, adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e fostes ver-me. (Mateus, 25: 34 – 36).
Então, dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos; porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; sendo estrangeiro, não me recolhestes; estando nu, não me vestistes; enfermo e na prisão, e não me visitastes. (Mateus, 41- 43).
Vemos acima que o consolo aos que choram não se refere apenas a quem padece, mas também a quem socorre o sofredor. Tanto num quanto no outro caso, acima, é pela reencarnação que colheremos os frutos do que semearmos na Terra. No primeiro, a recompensa será a de uma vida futura, na Terra, em um reino, ou seja, em situação de felicidade destinada aos bons “desde a fundação do mundo”. No segundo caso, o retorno à vida física dar-se-á na condição de um “fogo eterno”, ou seja, sofrimento físico e moral, destinado ao “diabo e seus anjos”, que são os opositores do bem e não entidades criadas para o mal e o sofrimento eternos.
Para sair desse ciclo, é preciso arrepender-se, passar pela prova da expiação e reparar, humildemente, suas faltas pretéritas, o que explica o choro atual de tantas criaturas encarnadas. Entretanto, tal situação não justifica nossa falta de compaixão e auxílio fraternal, sem o que poderemos vir, por nossa vez, a também sofrer as mesmas dores.
Mas não é apenas pela reencarnação que colheremos o que plantamos. São as dores morais muito fortes, no plano espiritual, que nos impulsionam ao desejo do retorno nas mesmas condições de privações que deixamos passar ou proporcionamos aos infelizes da Terra.
Aqueles, porém, que, resignados, aceitam suas provas e se esforçam por melhorar-se, já aqui mesmo, na vida física, encontrarão razão para sorrir. Despertados para a necessidade do esforço próprio, ainda que no desempenho das mais singelas e difíceis tarefas, de tal modo eles se empenham em agir no bem que, desde então, já começam a ser recompensados. A caridade independe da posse de bens materiais. Por isso, muitas pessoas, mesmo na pobreza, espalham a felicidade por toda a parte, recebendo, de imediato, a gratidão dos beneficiados pela sua solidariedade fraterna e seu trabalho desinteressado.
Há, todavia, os que, desejosos de adquirir conhecimento, de trabalhar, ainda que nas mais simples tarefas mundanas, não possuem qualquer possibilidade nesse sentido. Pois nasceram em estado de extrema miséria e em condições físicas tais que nada podem fazer para proverem à própria subsistência. Há também os que necessitam da caridade alheia para cuidar desses parentes em deplorável miséria orgânica, como a da deficiência mental, a dos corpos deformados pela ausência de membros. Há, enfim, todo tipo de miséria física e moral no mundo implorando piedade, compreensão e auxílio muitas vezes não recebidos na vida física.
A esses, só resta, quando a têm, a esperança numa vida futura melhor. Entretanto, não podemos esquecer das palavras de Jesus: “É necessário que haja escândalos, mas ai daquele que os proporcionar” (Mateus, 18: 7).
Esforcemo-nos, portanto, na prática da caridade, nosso objetivo primordial aqui na Terra. Enxuguemos, quanto pudermos, as lágrimas dos que sofrem, para que as bem-aventuranças prometidas a eles não dispensem a nossa boa-vontade em amá-los e servi-los. Façamos, pois, a nosso próprio benefício, o bem possível, porque assim, sem dúvida, podemos, desde já, dar início à consolação prometida pelo Cristo aos que choram.

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